Em 2006, ingressei no curso de história da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas com muita vontade de aprender. Foi logo no início de minha trajetória na universidade que tive o prazer de conhecer o querido professor Paulo Cosiuc, um antigo e ferrenho militante comunista. Já idoso, mas com muita vitalidade, Paulão, como era chamado por todos na faculdade, tinha seu jeito peculiar de dar aulas, não era muito íntimo das questões tecnológicas que marcam a era digital e, portanto, suas aulas tinham uma certa nostalgia no ar. Paulão era um crítico voraz do capitalismo e de suas ideologias adjacentes.

De um modo geral temos a tendência ao comodismo. Esperamos que apareçam os “grandes homens”, os “heróis” que façam o que precisa ser feito e esquecemos que a história é um processo do qual participamos, quer queiramos ou não. Refugiar-se na neutralidade é uma atitude covarde e, em si, já é uma opção. Demonstra medo de enfrentar as “forças de permanência”, isto é, aqueles que, enquanto se agarram aos privilégios econômicos e políticos, pretendem manter, a qualquer custo, o seu poder de decisão, não hesitando em desumanizar, oprimir e violentar a grande maioria, reduzindo-a à condição de objeto. O grande desafio que a história coloca diante de nós é a luta contra as forças de permanência que pretendem deter as forças de transformação. (trecho de “O Indivíduo e a História“, de Cosiuc)

Seus 77 anos de vida foram marcados pelo enfrentamento, pela luta e pela dedicação em construir uma sociedade mais equânime. Nos anos 1960, participou de maneira efetiva no movimento estudantil ainda como aluno da PUC de Campinas. Lutou pela redemocratização do país e, ao lado de outros professores, já nos anos 1970, assumiu a diretoria do Sindicato do Professores (Sinpro), buscando a renovação e o fortalecimento da luta dos professores por democracia e reconhecimento. Ainda mais, atuou como professor de história da Escola Comunitária de Campinas e da PUC Campinas. Além de diretor do Sinpro Campinas, foi também diretor da Associação de Professores da PUC Campinas (Apropucc).

Enfim, é com grande pesar que nos despedimos de Paulo Cosiuc, que dedicou sua vida a educação e a luta por democracia, sempre buscando melhores condições de trabalho e reconhecimento para os professores de Campinas. Foi um guerreiro incansável que tive o prazer de conhecer e ter como mestre.

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Leia textos de Paulo Cosiuc:

Reflexão sobre a Prática na Profissão Docente

Afetividade na Sala de Aula – Reflexões para o Dia do Professor

 

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