A partir da série indiana “Amar Chitra Katha”, uma exposição do potencial dos quadrinhos na reconexão dos indivíduos com suas culturas, em tensão com o ideário político “regressivo” que as obras também podem transmitir

Shaan Amin, na Atlantic, escreve sobre a série que, iniciada há 50 anos, abriu caminho para a indústria de quadrinhos na Índia: Amar Chitra Katha ou Immortal Illustrated Series. Com objetivos educacionais e de entretenimento, a série se inspirava nas histórias tradicionais hindus, tornando acessíveis às crianças e jovens temas da religião e do folclore indianos – o que era relevante tanto no país (porque a geração de então parecia se afastar dessas raízes) como para um menino como Shaan, parte de uma família que imigrou aos Estados Unidos. Na ACK, ele encontrou um meio de se conectar com essa herança.

O texto não é só interessante por exibir esse potencial das HQs na manutenção de uma cultura, mas principalmente por tratar das tensões que Shaan tem hoje na sua relação com a série. Nela, tendências políticas conservadoras e preconceitos de gênero e classe abundam. Nesse sentido, o artigo traz duas visões que demonstram como a leitura de uma obra pode transcender os elementos, como ele diz, “regressivos”, que estejam inscritos nela:

I was unaware of the broader, ongoing effort by Hindu nationalists to define a doctrine devaluing lower castes, women, tribal populations, and religious minorities. I didn’t understand how ideals of obedience to authority—something the comics taught—can feed systemic inequality. I was just reading about heroes who made me feel stronger than I was, and who would teach me, I believed, how to be Indian.

Para além dos valores que a série ajudava a manter, ela tinha uma efeito particular na auto-estima de Shaan, pela sua representatividade e pelos ideais heróicos que também continha. Ainda:

Academics, writers, and social-justice advocates have criticized ACK’s myriad prejudices for years. Yet, it remains a hallowed institution in India for providing millions of children a path to their heritage, however fraught. As for my family, my parents have given many of our comics away to my younger relatives. When I visited one cousin earlier this year, she had just read an issue her father brought from India. Her parents made sure to discuss with her the story’s dangerous assumptions about color, caste, gender, and religion. And then, they read the next one.

É uma defesa da postura crítica frente às obras, sem relegá-las ao ostracismo. As HQs, mesmo com os elementos, como o autor diz, “regressivos”, ainda cumpre uma função cultural, que pode ser renovada e mesmo corrigida pelo debate.

Leia o texto aqui [inglês].

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