Na “Common Edge”, Marianela D’Aprile trata das condições de possibilidade da estética, condições essas dadas pela estrutura econômica

A arquiteta e escritora Marianela D’Aprile escreveu ao site Common Edge um contraponto ao texto “Why You Hate Contemporary Architecture: And if You don’t, Why You Should”. Para além desse confronto pontual, é interessante como a crítica de Marianela trata das condições de possibilidade da estética, condições essas dadas pela estrutura econômica.

Para os autores do texto que é criticado, diz ela, “a beleza é definível, mas ainda subjetiva e variável, dependente por inteiro de normas culturais ligadas ao sentimentos fugazes que desperta — felicidade, alegria, curiosidade, maravilhamento”. Com essa perspectiva, eles defendem uma arquitetura que seja capaz de gerar essas sensações. Em outras palavras, a solução para uma arquitetura contemporânea que não conseguiria alcançar ao nível das obras do passado seria um “sair da caixa”, um pensar diferente, uma retomada do que aparece como naturalmente belo. Frente a isso, D’Aprile ressalta a construção social dos padrões de beleza anteriores e destaca:

Não obstante essas problemáticas se manifestem visualmente, a questão não é realmente estética. É, fundamentalmente, um problema no campo da economia. (…) Não são nossas ideias a prisão; é o sistema econômico em si mesmo.

A ideia de Marianela remete à separação marxista entre infraestrutura e superestrutura — a primeira marcada pelas relações de produção e a segunda, determinada pela primeira, abrangendo a cultura e as instituições. A referência à Marx se torna mais evidente nesse trecho:

A arquitetura está em crise (…) porque não se encaixa como uma commodity nas estruturas econômicas capitalistas. Não há valor, no sentido marxista da palavra, a ser extraído de ornamentos adicionais, de um projeto balanceado e artisticamente composto, da beleza espantosa, exceto no caso das construções concebidas para serem monumentais. Feeling não cria dinheiro. A razão pela qual a alta arquitetura contemporânea se manifesta quase exclusivamente em construções icônicas é que esse é o único caminho em que investir em design e qualidade estética pode ser convertido em lucro para alguém.

Assim, tanto produções audaciosas como o museu Guggenheim de Bilbao (foto acima) quanto o estilo funcional de conjuntos habitacionais e outros espaços sob definição estatal são influenciadas pela mesma “lógica capitalista”, baseada na ideia de que “tudo deve gerar lucro”.

Leia o texto aqui [inglês].

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