Cultura

Para Gostar de Ler

O crítico e professor americano Harold Bloom teve mais uma de suas idéias “literárias” anos atrás, ao selecionar diversos textos de prosa e poesia para uma coleção destinada aos jovens

O crítico e professor americano Harold Bloom teve mais uma de suas idéias “literárias” anos atrás, ao selecionar diversos textos de prosa e poesia para uma coleção destinada aos jovens. O resultado, traduzido em português com selo da Objetiva, é uma série de 4 volumes – Contos e Poemas para Crianças Extremamente Inteligentes de Todas as Idades.

Cada volume da coleção refere-se a uma das estações do ano. Começando com a “Primavera” (v. 1), o livro abre com um soneto de John Keats, As Estações Humanas, uma espécie de apresentação da obra inteira. Este e o conto surpreendentemente perceptivo de Émile Zola, As Feiosas, são os destaques.

No volume 2 – “Verão” – o tom oscila entre contos e poesia fantasiosos e moralizantes (o que nem sempre funciona). São belos O Rei do Rio Dourado, de John Ruskin, fantasia onde a menção a cores acentua a atmosfera de conto de fadas; O Gênio da Garrafa, de R. L. Stevenson; Rikki-tikki-tavi, de Kipling; e o poema Agosto, de Swinburne.

No vol. 3 – “Outono” – nota-se uma delicada melancolia, como se fosse um comentário a essa estação em que as folhas secam. Doce e de uma tristeza sábia é a narrativa poética de Christina Rossetti – O Mercado do Duende. Sabedoria, como o preço pago pela mesma, é o que encontramos no conto Penacho de Nathaniel Hawthorne. Saudade e esperança são as tônicas dos poemas O Amor Descobrirá o Caminho (autor anônimo) e A Ilha Branca, de Robert Herrick.

No vol. 4 – “Inverno” – predomina o fantástico, o inexplicável, até o terror. Ao lado de poesias que falam da morte, da natureza e da corrupção humana – Tristeza (Aubrey de Vere), Um Soneto de Inverno e Canção, de Christina Rossetti, O Cisne de Prata, de Orlando Gibbons – somos brindados com contos e novelas de tirar o fôlego: O Sinaleiro, de Dickens; O Horla, de Maupassant; William Wilson, de Edgar Allan Poe (este fica melhor a cada nova leitura); No Escuro, de E. Nesbit; e Finados de Edith Wharton. Não falta nem o toque russo dos mestres: A Rainha de Espadas, de Pushkin, com justiça um clássico, e o cômico-surrealista O Nariz, de Nikolai Gogol.

Contos e Poemas para Crianças… é uma festa, um verdadeiro banquete de leitura, e não só para os jovens. Os “extremamente inteligentes de todas as idades” terão muito o que saborear. Textos clássicos, alguns pouco conhecidos, “pratos” para qualquer gastrônomo exigente.

Últimos posts por Carla Silva (exibir todos)

Participe da conversa