É preciso enfrentar as visões das quais discordamos publicamente. Para melhor sermos capazes de fazê-lo, é preciso conhecer com alguma profundidade a visão do outro

imagem: SJ Carey

É uma tendência muito comum em política que se conheça com mais profundidade a própria posição e que se simplifique a visão dos oponentes, principalmente quando a gente está atacando a visão deles. É natural, um equívoco comum que todos temos sempre de tomar cuidado para não incorrermos nele.

Mas alguém poderia me perguntar “a quem interessa que saibamos a posição dos oponentes?”, e é uma boa pergunta. Aos mais inclinados a valorizar um diálogo com ampla discordância, e que dê voz a opositores, os motivos para isso podem ser mais óbvios. No entanto, mesmo os que são céticos sobre as possibilidades desse diálogo ainda assim sabem que é necessária uma atuação no debate público. É preciso enfrentar as visões das quais discordamos publicamente. Para melhor sermos capazes de fazê-lo, é preciso conhecer com alguma profundidade a visão do outro. Não se espera que alguém de esquerda dedique a mesma quantidade de horas estudando autores de direita quanto o faz com os de esquerda. Porém, ao menos algumas horas seria necessário para ter uma oposição mais bem informada. Isso é essencial porque no debate público se conseguirá com mais propriedade argumentar contra eles e mostrar falhas. Existe algo repetido por alguns filósofos, de que a crítica mais poderosa a qualquer sistema de pensamento é aquela que vem de dentro, que conhece a obra e a ataca em suas falhas. Penso que com isso em mente é fácil entender a relevância de que pessoas de esquerda tentem conhecer um pouco as posições políticas de direita.

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Mas será que a esquerda atual conhece o bastante o seu rival? Muitas vezes, vendo textos e posicionamentos de esquerda, estou inclinado a pensar que não. Eu próprio tive uma trajetória política peculiar. Comecei na esquerda, mas muito decepcionado com ela, cheguei a bandear para a direita por um tempo, participei de grupos dela, até finalmente me encontrar na centro-esquerda, e consolidar a minha visão política (a favor de ideais de igualdade). Por essa experiência, me parece que muitas das descrições que fazemos da direita são simplistas, e não cobrem a diversidade de pensamentos e posições que existem nela, com suas divisões e conflitos internos.

Todos sabem: mesmo que nós geralmente nos coloquemos como um grande grupo “esquerda”, existem muitas nuances e até brigas entre membros das mais diversas posições de esquerda. Seja entre partidos e coletivos, seja entre as tendências teóricas — marxistas clássicos, revisionistas, outros ramos socialistas, anarquistas, social-democratas etc. Isso sem contar aqueles que colocam outras pautas como prioritárias, como os grupos ditos identitários. É bastante plausível que, do mesmo modo, o grande grupo que chamamos “direita” também se divida em muitos subgrupos. A minha proposta neste texto é apresentar uma explicitação mínima do que seriam esses grupos, mostrando um pequeno mapa em que resumo as principais posições.

A exploração desse mapa pode nos ajudar a compreender a complexidade e a diversidade no pensamento da direita. Que eles também têm conflitos internos, e que nem todos possuem o mesmo grau de desprezo por pautas caras como a igualdade

Muitas vezes quando a esquerda fala sobre a direita, a impressão que dá é que de algum modo “faltam palavras”. É comum que se misturem grupos e reúnam muitos sob o mesmo nome, independentemente da forma como esses se reconhecem. Tem um conflito já recorrente, em que a esquerda aponta alguém como “neoliberal”, frente a que o opositor rejeita a alcunha e diz que isso não existe.  Embora o sujeito alcunhado no exemplo esteja factualmente errado (de fato, neoliberalismo não só é uma posição, como o próprio Milton Friedman, liberal renomado, publicou um artigo com o termo no título defendendo a posição), ainda assim a sua reclamação parte do motivo de que esse é um termo muitas vezes mal-empregado. Isso porque ele é muito amplamente usado, para vários tipos de liberais, enquanto originalmente se aplicaria a um grupo específico. Como o nome indica, ele seria relativo a um novo tipo de liberal, em oposição a um antigo. Historicamente, foi uma retomada do liberalismo, que se confrontava ao domínio da esquerda social-democrata no cenário político. Esse neoliberalismo seria um meio termo, que defende pautas liberais, porém admitindo uma maior intervenção do Estado para regular a economia, contrário a um liberalismo anterior mais radical, por não querer nenhuma intervenção do Estado, mas que anunciava o laissez-faire.

Claro que se pode escolher não usar os termos do oponente e preferir os próprios usos da esquerda. A questão que fica é: qual uso é mais informativo? Se um uso é muito amplo, reúne diversos seguimentos, enquanto o outro é mais preciso e especifica um único, talvez seja o caso de preferir termos mais precisos, pois usar termos de aplicação muito ampla pode gerar confusões e simplificações.

Outro termo geralmente usado de forma muito ampla é “fascismo”, do qual mesmo a esquerda frequentemente aponta o mau uso. Se usarmos conceitos muito amplamente eles até perdem um pouco o sentido. Por exemplo, se chamamos tudo de fascismo, a palavra se banaliza, perde a força para quando se precisa empregá-la para denunciar grupos mais estritamente fascistas. Vai soar para muitos que “é só a esquerda exagerando de novo”.

Algo que depõe sobre a necessidade de precisão é que a esquerda, na falta de termos mais precisos, começa a usar adjetivos e prefixos de intensidade. Na medida em que nomeiam todos “neoliberais”, quando precisam denominar os mais animados em defender a redução da interferência estatal na economia se tornou comum chamá-los de “ultra neoliberais”. Recentemente cheguei a ver até comentaristas políticos de esquerda, num texto falando sobre os “ultraneoliberais” no geral, ao precisar distinguir um indivíduo mais extremado chamá-lo de “superultraneoliberal”. Ao ler o texto me senti sinceramente em algum seriado de herói japonês em que o vilão vai ganhando novos poderes e se transformando, e que ao atacá-lo sairá faísca. Deixando a brincadeira de lado, isso é no mínimo pouco elegante para uma exposição sobre política, mostra um vocabulário pobre, e essa restrição acaba por limitar a análise e a capacidade de crítica.

Sem mais demora, vamos diretamente ao mapa que elaborei, e vou tecer algumas explicações.

Primeiramente, é importante relembrar que isso é já um resumo, uma simplificação. Muitas dessas posições podem ter outras divisões internas, ou mesmo pode haver alguns grupos que não citei (e que se incomodarão ao ver esse mapa). Algumas correntes citadas têm nuances internas mais importantes (que vou comentar abaixo), outras podem até se confundir apesar de eu ter distinguido.

No mapa a disposição das correntes está em coordenadas de acordo com defesa de mais ou menos Estado, com posicionamentos mais à direita ou mais ao centro. Sobre esses critérios cabe algumas considerações.

Sobre mais ou menos Estado, isso pode soar para muitos da esquerda simplista, uma confusão da direita, ou mesmo um critério pouco relevante. De fato, muitas vezes a extrema direita faz confusões pensando que o que distingue os conceitos de esquerda e de direita é a defesa ou oposição ao Estado. Isso está muito equivocado, mas ainda assim esse critério tem um papel relevante, separado e diferente do de esquerda e direita. Mesmo que olhando de fora pareça estranho, internamente esse é um critério muito usado pela direita para se dividir em grupos. Historicamente os liberais apareceram propondo a diminuição do poder do Estado, em épocas nas quais ele tinha muito mais poder do que tem hoje, controlando a vida pessoal dos sujeitos, impondo qual deveria ser sua religião etc. Esse contexto fincou nas posições liberais esse discurso de defender uma liberdade maior às pessoas limitando o Estado e pedindo pelas famosas “liberdades individuais”. Até hoje o debate “mais ou menos Estado” marca esses grupos. Por isso no mapa aqueles mais a favor de um Estado forte estão mais acima, enquanto aqueles contra o Estado estão mais abaixo.

Sobre esquerda e direita, aplico a definição do sociólogo Norberto Bobbio, para quem o que distingue os dois grupos é que a esquerda costuma defender a obtenção de uma maior igualdade na sociedade, enquanto a direita costuma colocar as desigualdades sociais como naturais ou mesmo inevitáveis. Apesar dessa ser uma definição geral, não esgota o debate, que é complexo. Mas serve de guia para classificar as correntes, além de ser um critério bem estabelecido e coerente com as correntes que historicamente se associam a cada lado. Desse modo as correntes liberais mais anti-igualdade estão mais à direita, enquanto as correntes liberais que reconhecem (ainda que menos que a esquerda) uma maior importância para a igualdade e as pautas sociais estão mais ao centro. E, aliás, mesmo correndo o risco de confundir alguns, eu posicionei a “direita” na parte esquerda do mapa, para ficar mais na ordem da leitura, começando pelos grupos mais extremados e mais conhecidos e indo para os mais moderados.

Além disso as setas no mapa indicam mais ou menos quem deriva do que ou quem influencia o que. Isso não é muito preciso, porque muitas vezes as influências são mútuas ou não é claro qual veio primeiro (é importante ainda lembrar que isso não é um trabalho com um rigor histórico de pesquisa, está mais para impressões de alguém que teve contato e conhece um pouco dos grupos, um historiador do ramo provavelmente fará correções).

Também é preciso colocar que apresentamos as correntes políticas segundo o modo como elas são defendidas. Sempre existem contrastes entre o que um grupo prega e a prática do que ele aplica quando alcança o poder.

***

No começo do mapa, nas posições no ramo “direita”, temos alguns casos difíceis de classificar. Nazismo e fascismo são fenômenos políticos complexos, e que exigiriam textos próprios. Alguns até os classificam como uma terceira posição (além da direita e esquerda tradicional). O nazismo em particular tinha um discurso pouco claro, e que mudava com o tempo. Inicialmente chegou até a fazer um discurso mais anticapitalista para ganhar o apoio de trabalhadores, embora essa visão tenha sido reprimida posteriormente no regime. De todo modo ele acentuava explicitamente a desigualdade das pessoas, e também tinha um controle muito forte do Estado, inclusive chegando a prender e matar de forma desumana boa parte da população.

Também na extrema direita temos o monarquismo, sobre o qual é importante acentuar que tem nuances. Tanto na prática política como no discurso, tivemos muitos tipos de monarquismo. Temos as monarquias absolutistas, com o poder estatal máximo e centralizado; temos as monarquias constitucionais e parlamentaristas, que acabam se assemelhando bastante com as repúblicas e podem até ser consideradas democracias; e temos a monarquia do período feudalista, em que os reis não tinham poder algum e na prática podemos colocar até que quase não existia Estado organizado, pois cada um mandava no seu feudo. Essa perspectiva monarquista já foi muito fraca, mas ela tem voltado a crescer com a ascensão da direita no Brasil — eu a coloquei nesse lugar no mapa pensando em grupos de extrema direita que defendem sua retomada, geralmente são conservadores mais militaristas que querem mais controle do Estado, embora, como colocado acima, existem muitos monarquismos possíveis. Ele está mais à direita porque é um pressuposto básico da monarquia naturalizar a desigualdade. Alguns nascem em famílias especiais, nobres, e têm direito ao poder, enquanto outros nascem em outras famílias e não têm. Existem assim direitos de nascença, desigualdades muito fortes entre as pessoas.

Próximo a esses está o conservadorismo. Ele não necessariamente é parecido com o monarquismo e principalmente não o é com o nazismo. Ainda assim compartilham semelhanças e relações. Seria muito injusto colocar todo conservador como nazista, porém raramente um nazista não seria também conservador. Os conservadores querem manter desigualdades naturais, que pensam serem para o benefício de todos, e desconfiam da efetividade de mudanças políticas. Existem conservadores sérios e ilustrados, que se baseiam em teoria política, leem autores clássicos. E existem também os menos cultos, geralmente apenas defendendo um ponto de vista religioso. Bem afim a essa posição é o liberal-conservadorismo, que defende pautas similares, mas se inclui numa tradição liberal, e costuma ter um enfoque maior na liberdade do indivíduo, embora ainda naturalize as desigualdades.

Ligado no mapa a esse último, temos o liberalismo clássico como seu influenciador. O liberalismo de forma geral é um fenômeno político complexo, e que cabe ser mais respeitado pela esquerda. Embora nos últimos tempos o liberalismo esteja muito mais identificado com a direita, assim como seus defensores, ainda assim, a própria ideia de “esquerda” surgiu em meios liberais. O nascimento da oposição “esquerda/direita” foi na Revolução Francesa, em que os grupos mais progressistas e que queriam mais mudanças se sentavam à esquerda na assembleia, enquanto os mais conservadores ficavam à direita. Esses sentados à esquerda eram nada menos do que liberais (existe a visão também de que os conservadores na direita também seriam liberais-conservadores). De fato, muito do que a esquerda defende hoje ela assimilou de pautas liberais, embora tenha se desvencilhado dessa perspectiva (penso que principalmente pela influência de Marx).

Hoje em dia se pensa no liberalismo como pauta estritamente econômica, existe o famoso “liberal só na economia”. Porém, na sua origem, o liberalismo era uma pauta principalmente política. Tratava-se de defender as liberdades civis e individuais de todos. Um liberal atual, mais à direita, com influências conservadoras, provavelmente se lesse desavisado um texto de Adam Smith iria perguntar “quem é o comunista que escreveu isso?”. Embora claro, isso seria um exagero de quem rotula qualquer um de comunista, ainda assim o liberalismo clássico é bem mais ambíguo e mais ao centro, por vezes dando importância a certas pautas de igualdade. Em sua história o liberalismo mais político conversou com a esquerda, ambos se influenciaram mutuamente. E também o liberalismo defendeu pautas de minorias, como mulheres e LGBT (que mesmo hoje são chamadas de pautas “lib-left”), e foi importante para que se estabelecessem os direitos humanos universais. Claro, nem tudo foram flores, e os liberais se aliaram também a muita coisa perniciosa e a interesses escusos. Por isso sempre houve disputas e separações, rumos diferentes que foram tomados a partir do liberalismo clássico, cada corrente puxando mais para um lado, uns pra esquerda, outros para a direita. Tenham em mente que é possível mesmo existirem liberais de esquerda, que colocam a igualdade como fundamental. Um exemplo importante é John Rawls, figura central da teoria política contemporânea, e que, no seu liberalismo político, eleva a igualdade a um fundamento da sociedade.

Quanto às guinadas à direita no liberalismo, derivando do pólo clássico, temos o neoliberalismo. Este teria surgido de uma reação mais à direita às políticas de esquerda social-democratas que tinham se estabelecido. É um liberalismo mais maduro, e que tolera intervenções moderadas na economia, diferente de outras correntes mais radicais que querem que os mercados funcionem totalmente livres. Talvez possa ser colocada como uma corrente mais pragmática, no sentido de entender mais os desafios reais de políticas públicas que atuam na prática, em vez de se manter apegados a ideais de não-intervenção.

Já puxando mais para o lado da oposição ao controle estatal, temos liberais que sempre se apegam à ideia de que o Estado deve ser mínimo. A ideia é a de que o mercado resolveria os problemas sociais por si mesmo, com sua mão invisível, e que por isso o papel do Estado é só deixar rolar, provendo apenas serviços muito básicos, como a segurança, para garantir a propriedade privada. Aí nós caímos no minarquismo (de [Estado] mínimo, não confundir com monarquismo). Isso é um deslocamento para a direita, porque defender que o Estado não tem papéis legítimos entregando serviços e acolhendo a população (como apoio social, mesmo saúde pública em alguns casos etc) consequentemente acentua as desigualdades existentes: quem já tem recursos é protegido pela repressão estatal que defende apenas a propriedade privada, quem não tem recursos nem é apoiado a conseguir, e é reprimido caso se rebele.

Indo ainda mais para a direita, temos o libertarianismo. Existe quanto a esse caso uma crítica e desconforto da esquerda, porque esse termo também era usado por setores dela. Apesar disso, também é um termo clássico da direita. Não tenho condições de um estudo histórico para saber qual foi o uso original, quem imitou quem, mas o fato é que a direita também o usa para se referir a grupos que são mais extremos em se opor ao Estado. Muito parecidos com o minarquistas (podendo se confundir), geralmente os libertários pretendem fundar a sua posição em um embasamento ético. Defendem uma ética que justifica as liberdades dos indivíduos e que coloca a atuação estatal como ilegítima ou eticamente condenável. O discurso meritocrático é forte (assim como existe na maior parte dos grupos mais à direita) e coloca que o indivíduo livre é quem deve conquistar melhores condições, rejeitando e reprimindo pautas de igualdade, como se quem as defendesse fossem trapaceiros querendo atalhos.

No mais extremo da direita sem Estado, derivando dos libertários, temos os anarcocapitalistas. Esses chegam a pedir explicitamente a extinção do Estado, acreditam que é possível a sociedade funcionar sem comando central, e mesmo teorizam a possibilidade de organização jurídica privada, fazendo leis e com força coerciva para obrigar a cumpri-las. Se tornaram muito populares atualmente entre adolescentes que possuem visão ainda mais simples do funcionamento da sociedade, e para quem faz sentido uma revolta geral contra o Estado, mas sem defender pautas de igualdade das quais não reconhecem a importância. De fato, para eles nenhuma pauta de igualdade é legítima, pois iria derivar do Estado. A única regra deles é não iniciar agressões, mas ter a liberdade de retaliar e se defender quando agredido. É uma ideia de fragmentação do poder, em que cada um detém para si mesmo poder coercivo, usa armas, defende sua propriedade e faz trocas de comerciais com os outros. Isso acentuaria ao extremo as desigualdades existentes, sem um poder central para poder intervir e gerenciá-las. Curiosamente, se colocada em prática como seus seguidores estipulam, esse anarcocapitalismo estaria mais próximo dos regimes do feudalismo do que qualquer de qualquer outro. Grupos fariam segurança privada em seus territórios, cada território tem sua própria lei, disputas locais à base da força.

Saindo desse extremo mais funesto, voltando mais ao centro, temos aqueles que partindo do liberalismo mais clássico o tentaram puxar mais em direção à esquerda (ou ao centro), e reconheceram mais a necessidade do aparato estatal, como o ordoliberalismo. Com o desenvolvimento da pesquisa em economia se percebeu que aquele papo de que os mercados livres resolveriam tudo não eram muito realistas (embora esses mercados tenham sim algum papel e utilidade na organização social), percebendo isso, surgiu esse ramo mais focado no aspecto econômico, que é um liberalismo que defende o ordenamento estatal para corrigir as chamadas “falhas de mercado”. A mão invisível tava fazendo bagunça, muito violenta, cortaram as unhas, deram uma luvinha, ensinaram bons modos.

Semelhante a esse último temos o liberalismo social ou social-liberalismo. Esse é o seguimento que admite a necessidade de uma economia de mercado, embora mais controlada, e que defende a pauta da liberdade. Porém eles também têm uma preocupação forte e marcante com aspectos mais sociais, e mesmo com a igualdade. Eles se aproximam bastante da esquerda, e embora tenham diferenças de origem histórica, podem até se confundir com a corrente social-democrata. Como se, um vindo das correntes da direita e o outro das correntes da esquerda, se encontrassem no centro. Esses estão longe de serem o monstro todo que se espera de liberais, e podem até ser aliados da centro-esquerda, pois geralmente eles preferem mesmo se opor ao resto da direita, reconhecendo neles os problemas que a esquerda também reconhece.

A exploração desse mapa pode nos ajudar a compreender a complexidade e a diversidade no pensamento da direita. Que eles também têm conflitos internos, e que nem todos possuem o mesmo grau de desprezo por pautas caras como a igualdade. Dá pra pensar mesmo que tem muita gente bem intencionada, que apenas prefere dar o enfoque de sua luta política na liberdade individual, de que hoje a maior parte da esquerda também reconhece que tem sua importância.

A principal conclusão que eu tento trazer com esse mapa e esse texto é que nem todo mundo que se coloca como direita é algo entre um nazista ou um anarcocapitalista, existem nuances, existe gente que realmente acha que defendendo alguma posição de direita mais moderada eles estão defendendo os melhores interesses de todos, ainda que possam estar equivocados sobre isso.

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