Uma descoberta, duas conversas com canções, um encontro nas ruas

imagem: Felipe Lange Borges

Tava andando pela Vila Mariana e, enquanto Jorge Ben Jor me dizia que “eram os deuses astronautas“, passei na frente do Café Astronauta. Voltei, olhei pra fachada, achei graça e resolvi entrar. Era um lugar novo, descoladinho, mas algo me puxou pra sua órbita. Escolhi um cold brew, torrada e bolo de banana sem glúten, que só vi na hora de pagar.

O pedido chegou na mesa e o aroma me fez ser invadido pela lembrança dos bolos de banana da infância, quentinhos e molhados, que foram recompensadas com esse novo bolo, sem glúten e generosamente polvilhado com canela. Mesmo almejando conquistar o espaço, é importante lembrar de onde estamos decolando. E, sim, o infinito também pode uma forma de volta às origens.

***

Horas depois, Pedro ‘Sorongo’ Santos me dizia ser “de uma porção de um só, sempre pra lá e pra cá” quando Fernando passou por mim. Sua mensagem era direta como a música que eu escutava, tanto na escrita simples quanto na simplicidade do grafismo. Andar cabisbaixo, mochila nas costas, folha de sulfite numa mão com a sua mensagem pro mundo e caixa de paçoca na outra. Não tentava convencer ninguém com postura ou olhar, mas mantinha a folha à mostra enquanto caminhava. Passou por mim como passou por tantos, mas vi força na simplicidade da sua mensagem e resolvi ir atrás dele.

Voltei uma quadra, parei-o na esquina e pedi uma paçoca e uma foto. Ele sorriu e logo se apressou pra me dar o doce e posar. Eu disse que ele não só já tinha começado como era um empresário de fato, ao vender ali a sua mercadoria caminhante. Ele disse que sabia disso, apesar de ter começado a tentar poucas horas atrás. Que tinha escolhido a Paulista pelo movimento e que ia ver como era a recepção ali; qualquer coisa mudaria de lugar, pra buscar mais clientela. Tirei a foto, desejei boa sorte em sua estreia e me despedi de Fernando.

Seguimos, cada um para um lado, mas continuei enviando boas energias pra ele, desejando que sua caminhada encontre outras tantas pessoas que o ajudem ainda mais e que os seus sonhos se realizem. Que todos os nossos desejos, por maiores sejam, comecem em pequenos gestos e passos. E, acima de tudo, que estejamos abertos pra viver, aprender, tentar e errar.

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