A origem, a potência e os limites do método francês de estudo da filosofia, um dos mais rigorosos, cuja influência marca a pesquisa dessa área no Brasil

imagem: mini malist

Rafael do NascimentoJoão Souza Duanne Ribeiro conversam com o pesquisador Caio Souto, coautor do artigo “Para Além da Leitura Estrutural em História da Filosofia: Foucault e Deleuze“, escrito com Fernando Gimbo. Souto apresenta a trajetória histórica deste que seria um dos mais rigorosos métodos de estudos filosóficos, a leitura estrutural, que chega ao Brasil com a “missão francesa” que dá as bases do departamento de filosofia da Universidade de São Paulo e se afirma como um direcionamento generalizado dos debates acadêmicos dessa área no país.

Filiada a nomes como Martial Gueroult e Victor Goldschmidt, a leitura estrutural procura ler cada autor a fundo, de maneira que se possa depreender da obra uma coerência interna total: haveria uma ordem na qual se posicionariam todos os movimentos de um filósofo, e seria partindo da percepção dessa ordem — dessa estrutura — que poderíamos nos posicionar sobre cada pensador da forma mais firme, mesmo científica. Com isso, a história da filosofia é revitalizada — o pensamento não estaria condenado à obsolescência, mas poderia ser recuperado segundo uma dinâmica que ainda nos ensinaria algo.

Porém, não estaríamos, com a leitura estrutural, muito reduzidos ao comentário, presos ao texto, distanciados de temáticas ditas externas? Couto fala também de filósofos que, treinados no rigor estrutural, abriram a leitura ao mundo: Michel Foucault e Gilles Deleuze, citados no artigo, mas também outros, como Jacques Derrida e Georges Canguilhem.

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Referências

CHAUI, M. Texto e Contexto: a Dupla Lógica do Discurso Filosófico. Cadernos Espinosanos, (37), 15-31, 2017.

CHAUI, M. Aula inaugural do curso de filosofia da USP (parte 1 e parte 2), 1999.

GOLDSCHMIDT, Victor, Tempo histórico e tempo lógico na interpretação de sistemas filosóficos. In: A religião de Platão. 2. ed. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1970.

MOURA, Carlos Alberto de. História Stultitiae e História SapientiaeDiscurso, (17), 151-172.

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