Uma sociedade em que a solidariedade é obsoleta: no presente, o indivíduo soçobra sob o peso da culpa — e, como remédio, recebe o discurso do bem-estar

texto originalmente publicado em The Baffler, repostagem autorizada pela autora
tradução por Duanne Ribeiro
imagem: Antonio Marín Segovia

Siegfried Kracauer, um dos eloquentes teóricos da cultura pop associados à Escola de Frankfurt, via com maus olhos o cinema, com suas cortinas de veludo e suas poltronas acolchoadas, chamando-o de “distração elevada ao nível de cultura”. Na sua sisuda visão das coisas, as massas trabalhadoras urbanas foram iludidas a ponto de se sentar no escuro, pasmos frente projeções luminosas mesmerizantes enquanto forças sinistras moviam o mundo debaixo dos seus pés. “Nas ruas de Berlim, às vezes somos abalados momentaneamente pela percepção de que um dia tudo isso irá desabar de repente”, ele pressagiou em 1926. O cinema ainda oferece férias mentais da nossa existência de trabalho explorado, mas a forma mais evoluída de capitalismo, o neoliberalismo, produziu um sedativo mais pernicioso para acalmar os ânimos: o jargão medicinal. A linguagem do autoaperfeiçoamento modificou o seu foco leve, mas notavelmente, da motivação (“apenas faça”) para o melhoramento (“empatia radical”). Do animado reboot de Queer Eye até o raivoso 12 Regras para a Vida: um Antídoto para o Caos — o subtítulo diz muito — o discurso reconfortante é uma indústria florescente. Uma gama de Virgílios apropriados para gostos variados está de prontidão para nos levar pelos círculos do capitalismo neoliberal.

Faz sentido que o “tá tudo bem”, a linguagem da moda, circule freneticamente em uma época na qual a capitalização de cada aspecto das nossas vidas nos opôs ao resto da humanidade — seja quando, com quatro anos de idade, participamos de uma seleção para uma escola infantil de elite ou quanto tentamos escolher o melhor fundo mútuo para os nossos portfólios de aposentadoria. E, não obstante, a assim chamada lógica do livre-mercado vai na contramão do que compreendemos da natureza humana.

Nós desejamos ouvir que está tudo bem, que não estamos sozinhos, que somos aceitos apesar das nossas falhas. O pertencimento é uma necessidade humana essencial. (Fascistas entendem esse fato básico: neoliberais, não). A solidão, foi notado, afeta negativamente não só nosso bem estar psicológico, mas também a nossa saúde física. E ainda assim nós aparentemente escolhemos, via democracia liberal, viver de acordo com um sistema de organização social que exige nós que sejamos paranóicos agitados, desconfiados de todos e apavorados pelos nossos potenciais erros. Os crentes nas democracias capitalistas liberais podem cacarejar sobre as excessivas inquisições maoístas devotadas à autocrítica revolucionária, mas a nossa sociedade nos encoraja a praticar a mesma extravagante autoaversão, só que em âmbito privado. É por isso que o vasto grupo de aconselhamento terapêutico americano firmemente erradicou a linguagem da solidaridade e da consciência de classe, polida apenas por meio do da luta coletiva, e o substituiu com exortações a “faça o que você ama” e “viva a sua melhor vida”. Ambos os aforismos implicam que o que você está fazendo atualmente não é o bastante.

Na medida em que nós gastamos a maior parte do nosso tempo acordados em um desesperada rotina para manter um trabalho que nos sustente, culpando-nos por cada pequeno problema ao longo do caminho, evangelhos de apoio e auto-cuidado são uma mercadoria preciosa. A nós é negada a habilidade de procurar conforto em colegas, vizinhos ou — Deus me livre — camaradas, porque o neoliberalismo tornou-os a todos competidores. Em vez disso, almas descontentes são incansavelmente levadas de volta à prisão de uma loja onde podemos acessar, individualmente, pequenas doses de ajuda.

O Nervosismo Americano

O indivíduo sob o neoliberalismo é atomizado, competitivo e, acima de tudo, ansioso. De fato, como David Beer e outros apontaram, é precisamente o roer de unhas e a onipresente ansiedade o que funciona como força motivacional psíquica da ordem social neoliberal. Apenas quando nós humanos mantemos uns aos outros em suspeição paranóica pode o assim chamado livre-mercado operar. Apenas quando estamos constantemente tentando melhorar as nossas avaliações com estrelas (no Uber, no Goodreads, tanto faz), o indispensável mercado funciona adequadamente.

O sistema de avaliação com estrelas é particularmente engenhoso em semear a ansiedade. Como todos aprendemos na escola primária, quantidades não tem sentido sem unidades. Seis, 1/2, oitenta e sete mil — esses números não significam nada a menos que saibamos quais são as unidades consensualmente atribuídas a eles: quinzenas, colheradas, estádios etc. Mas o que é uma estrela? Ninguém sabe. A avaliação com estrelas só tem sentido em termos relativos: é maior ou menor que outras avaliações com estrelas recebidas por outros esforçados trabalhadores; Em outras palavras, as avaliações feitas pelos usuários situam a nossa performance não de acordo com algum critério estável — como a produtividade por hora trabalhada — mas segundo uma hierarquia flutuante composta pelos nossos companheiros.

Essa grade de performance cambiável, pública demais, representa apenas uma de muitas ferramentas que mantêm o fluxo da ansiedade fervilhando sob o neoliberalismo. São abundantes, e são agora tão familiares nas nossas vidas profissional e emocional que nós raramente notamos como rotineiramente elas perturbam o senso básico de quem nós somos: há o desmantelamento do emprego estável por meio da gig economy [a “economia dos bicos”], a explosão dos aplicativos (o LinkedIn, por exemplo, transforma os seus usuários — mesmo os já empregados — em candidatos permanentes a vagas de emprego), avaliações de desempenho de soma zero como o Race to the Top de Barack Obama, agendamento de expedientes just-in-time, jardins da infância do empreendorismo e muitos outros. Todos esses sistema nos encorajam a ver as conquistas dos demais como reveses nossos, a individualizar completamente nossos sucessos e desapontamentos.

Nós estamos aterrorizados frente à ideia de cometer mesmo o menor dos erros, e ao mesmo tempo somos confrontados com uma classe dominante que faz pouco esforço para esconder os seus flagrantes delitos: suborno, corrupção, e talvez o mais aterrador nessa era da assim chamada meritocracia, pura e simples incompetência. Perca um data da condicional ou um comparecimento ao tribunal e a sua vida é atirada em um inferno infinito de burocracia punitiva e dívida inescapável. A diretora adjunta da CIA, Gina Haspel, por outro lado, viola a constituição por gerenciar uma cela secreta de tortura, e só termina recompensada com uma promoção. Apesar do fato de Hillary Clinton ter realizado uma campanha atabalhoada e desconcertantemente cega, nós tivemos a frase “a mais qualificada candidata presidencial” praticamente enfiada pela nossa garganta. E, claro, Donald Trump é o presidente.

Sendo um trabalhador de escritório, você pode ficar aterrorizado por ter cometido um erro com um cliente. Você pode perder noites de sono pensando que você se confundiou quanto a alguma subrotina burocrática, o que levou o seu cliente a reclamar com o seu chefe. Se um destino horrível desses couber a você, você perderá o seu emprego, a sua casa, e então você e seus filhos vão ter de viver no seu carro, e vocês serão condenados a uma vida de pobreza. E terá sido tudo culpa sua. E aí tem o CEO da Wells Fargo, Tim Sloan, que foi parte do grupo que presidiu a criação fraudulenta de 1.5 milhão de contas de banco e de 565 mil cartões de crédito, virtualmente com consequências zero. Certo, ele é publicamente odiado, mas ele pode continuar indo com um sorriso no rosto nas suas caminhadas até o… banco.  O que a gerência do Wells Fargo iria fazer, demiti-lo? Depois de ter pago a ele indizíveis milhões de doláres? Na verdade, eles deram a ele um aumento.

Bem, e daí? Nós todos sabemos que aqueles que estão no topo jogam com regras diferentes e que para a maioria das pessoas as consequências podem ser descontroladamente fora de proporção com as suas mancadas. Durante o feudalismo, pelo menos, essa discrepância estava a olhos vistos. Sim, era injusto, mas, ao mesmo tempo, não podia ser negado. O que é especialidade do capitalismo, e da sua versão neoliberal em particular, é o quanto a maior parte de nós aceita que cada um dos nossos erros individuais justifica toda calamidade que nos acomete, não importa o quão devastador seja. A localização de todos os problemas sociais nos indivíduos atingiu proporções absurdos. Antes, dizia que as dificuldades das pessoas eram devidas a não terem estudado o suficiente ou por terem levado um enquadro quando estavam fumando maconha no parque. Agora, pedir torrada com abacate no brunch é o vício que justificadamente fecha à alguém as portas do mercado para sempre. Ao mesmo tempo, os gloriosos lordes feudais dos dias de hoje continuam cometendo fraude e tortura — ou simplesmente seguem com suas trapalhadas e mentiras pelo caminho de ainda mais riqueza e ainda mais sucesso político.

Bobajada à Venda

Mas aqui vai o que há de realmente maravilhoso no neoliberalismo — ao passo em que ele nos torna a todos tratantes paranóicos e invejosos, nos vende clichês para atenuar os pesados sentimentos de insegurança e alienação que ele conjura nas noites sombrias da nossa alma. O neoliberalismo não apenas nos deu uma ansiedade paralisante, mas também o seu remédio aparente. Não é coincidência que assim que nos tornamos mais nervosos, “bem-estar” e “autocuidado” se tornaram indústrias do mainstream. Nas últimas décadas, os locais de trabalho se tornaram mais opressivos, com monitoramento intensivo dos trabalhadores, exigências de mais horas de serviço e enfraquecimento de direitos de barganha dos empregados, tudo isso enquanto instituíam o bem-estar e o aconselhamento em escala grandiosa.

Ocasionalmente, as contradições desse “bem-estar” intrusivo e punitivo se tornam ridículas demais e desabam sob o próprio peso. Um catalisador frequentemente mencionado da recente greve de professores em West Virginia foi a proposta de monitorar os movimentos corporais dos educadores via Fitbit, em um momento no qual o governo operava para limitar aumentos de salário e financiamento da escola. O capitalismo vai desgastar você enquanto te faz pensar que você tem os meios para se dar bem. De fato, ele tentará obrigá-lo a se submeter à sua terapia. No caso de West Virginia, da sua crusada taylorista do bem-estar, decidida de cima para baixo, o governo claramente forçou a mão; muito mais comuns são iniciativas realizadas pelos empregadores, tanto faz se empacotadas como treinamento de mindfulness (atenção plena, em português) ou como aulas de meditação, que foram inseridas nas nossas vidas profissionais para nos ajudar a falar mais alto que nós mesmos. A atenção plena — um estado de hiper-atenção temperado por uma calma disciplinada — se tornou o mantra corporativo du jour. Ao encorajar funcionários cada vez mais explorados a assumir poses de árvore ou recorrer ao mantra Om quando confrontados com frustrações, os chefões corporativos procuram degolar qualquer frêmito revoltoso antes que tenha a chance de ganhar momentum. Mesmo se os próprios CEOs por vezes assume essas práticas com aparente sinceridade, a atenção plena serve aos interesses de base das empresas primeiro e antes de tudo porque é fundamentalmente anti-revolucionária. “É difícil não notar como com frequência a atenção plena se alinha facilmente com demissões”, escreve Laura Marsh, “os empregados precisam de uma sensação de calma quando estão sendo chicoteados. Todos esses ganhos de produtividade — sessenta e nove minutos a mais de foco por empregado ao mês — contam bastante quando as fileiras estão diminuindo”.

Esse modelo de auto-instrução psíquica se mostra um revelador complemento das propagandas antisindicais que os empregadores podem — e com frequência o fazem — demandam que os contratados assistam. Tolos como pode parecer essas materiais de mídia instrucional, aqueles que os fazem circular sabem que valem o investimento. Eles sabem que linguagem importa. Nada corta mais fundo a auto-determinação do que a erradicação da sua linguagem. Substituí-la por uma tagarelice desorientadora que dispõe toda culpa e toda possível redenção da culpa nas costas do indivíduo é uma cartada magnífica para aqueles que gostariam de nos manter receosos uns dos outros. O bem-estarismo corporativo tem uma habilidade doentia em torcer até mesmo as mais funestas situações de exploração e desespero em lendas do triunfo individual. Em 2016, a Lyft transformou uma motorista grávida de nove meses numa celebridade por ter aceito uma corrida estando em trabalho de parto. Pedindo que lhe enviassem histórias tão “excitantes” quanto essa, a Lyft definiu a história dessa empregada como uma realização positiva. Como qualquer outra empresa, ela sabe que trabalhadores transbordando de bons sentimentos raramente estão motivados a se organizar e exigir condições de trabalho que não requerem dos funcionários aceitar dar à luz enquanto dirigem para estranhos pela cidade.

Também não é coincidência que o político que presidiu o triunfo final do neoliberalismo como o senso comum social e econômico dos Estados Unidos tenha sido Bill “Eu Entendo a Sua Dor” Clinton. Clinton tirou a assistência de mães solteiras pobres, mas qualquer cortador de gastos pode cumprir isso. O detalhe no caso de Clinton é que ele podia fazer mesmo pessoas que se identificam como de esquerda sentirem-se bem a respeito de políticas públicas punitivas como essas, aparentando que essas medidas de fato ajudavam essas mulheres a ajudar a si mesmas. De muitas maneiras, a habilidade política de Clinton representa perfeitamente o círculo de retroalimentação da positividade neoliberais, que se foca na sensação de bem-estar, em vez daquilo que é generoso e justo.

Condição Depressiva

Esse recuo na direção de si mesmo foi colocado em evidência pelo projeto político dos Clinton logo após a derrota de Hillary para Donald Trump, em 2016. Conforme a calamidade crescente que é a presidência de Trump foi posta em movimento, Hillary Clinton embarcou em um regime de auto-cuidado que incluía caminhadas no parque e métodos de respiração alternativos. Porém, nos determos apenas nela nos leva à mesma armadilha de individualizar problemas sociais — Hillary dificilmente foi a única pessoa que sentiu o impulso de se distanciar e de se concentrar em uma cura pessoal após a eleição. Todo tipo de pessoa prometeu abandonar os noticiários e deixar o país de modo a tratar das suas feridas e colocar a sua atenção em uma auto-descoberta. Particularmente reveladores são os comentários de uma exilada voluntária dos Estados Unidos de Trump, que viajou pela Ásia com a família: “Eu tento não me envolver… nós estamos aqui para sermos estudantes, e não para falar sobre coisas horríveis”. Essas reações são, talvez, simpáticas, mas, politicamente, retiros de yoga, blecautes informacionais e taças de champanhe só encaminham potenciais reformistas a becos sem saída.

Duas décadas após o reino neoliberal de Clinton na Casa Branca, a mesma dinâmica umbiguista opera profundamenta nas nossas redes sociais. O maior benefício delas, segundo Mark Zuckerberg, é que elas provêm a infraestrutura para “construir um mundo mais próximo”. Por meio de plataformas como o Facebook e Instagram, que é propriedade do Facebook, nós podemos interagir mais frequentemente com mais pessoas, e através de distâncias geográficas maiores do que nunca. Não obstante, graças aos arranjos sociais atomistas que dominam o resto das nossas vidas, as pessoas tendem a se manter nos seus pequenos círculos, reforçando as suas noções prévias de boa política, bom gosto etc.

Mais alarmente, no entanto, é o que poderia ser chamado do paradoxo do recolhimento social neoliberal: embora as pessoas gravitem às redes sociais em vista de se sentir conectadas, as redes sociais, e o Instagram em particular, têm uma tendência de fazer com que as pessoas se sintam piores com relação a elas próprias. A competência do Instagram na distribuição de maus sentimentos através de uma vasta rede social é particularmente reveladora, já que o Instagram é tipicamente considerada a rede mais “pra cima” de todas — não a plataforma para arranjar dor de cabeça. Com efeito, o Instagram armazena um enorme conjunto de posteres incrivelmente famosos com mensagens positivas e reconfortantes, como pratos de comida bonitos e poesia facilmente digerível.

Entretanto, ocorre que esse tipo de conteúdo tende a fazer com que os usuários se sintam alienados — no ambiente de constante competição de esteios emocionais capitalistas, até mesmo as imagens bonitinhas exibidas no Instagram alimentam um tipo perverso de mal-estar individual, com cada novo post a respeito de uma refeição excelente deixando um poderoso sentimento residual de que a vida dos espectadores tem um déficit de materiais capazes de gerar posts igualmente celebrativos. E há mais outra brilhante característica do marketing de humores desse neoliberalismo de claustros: os sentimentos de insuficiência que o Instagram incentiva são exatamente o que faz com que a positividade do Instagram seja ainda mais atrativa. Sente-se triste? Por que não rolar a timeline para ver alguns poemas de quatro linhas nada desafiadores e uma mesa de jantar bem posta?

A ansiedade, e especialmente a depressão, como notou o crítico social Mark Fisher, com frequência têm causas sociais, mas somos levados a pensar que sofremos individualmente e que devemos lutar sozinhos. A tese de Fisher é que nos impedem mesmo de considerar essas condições como sendo sociais. Os tratamentos oferecidos, os meios mais comuns de discutir processos de recuperação — a terapia e a farmacêutica — são em essência jornadas solitárias cumpridas pelos pacientes. Contra essa visão hiper-individualista da cura psíquica, faríamos bem em enfatizar a percepção central de Fisher, de que as ferramentas que recebemos enviesam como entendemos o mundo e o nosso lugar nele. A linguagem, tipicamente o recurso mais fundamental com o qual articulamos a nossa vida afetiva, pode ser um meio tremendamente insidioso para a nossa opressão, se cooptado por aqueles que querem nos explorar.

Há uma razão para que palavras e frases que estão ressurgindo — como “solidariedade”, “consciência de classe”, “movimento de massas”, “organização” e “luta coletiva” — pareçam antiquadas e precisando de uma bela espanada. Elas não simplesmente saem da moda; são agressivamente obsolecidas no nosso cotidiano por uma variedade de atores — empregadores, corporações famintas por recursos públicos — determinados a nos alienar uns dos outros com o interesse de marketizar nossas almas para o seu próprio benefício. Em retorno, nos concedem uma linguagem individualista de suposto cuidado que nunca foi de fato pensada para nos liberar das causas da ansiedade e da depressão. Serve só para amortecer a dor momentaneamente — tempo o bastante para nos capacitar a seguir para a próxima tarefa logada em um aplicativo, o próximo cliente de Uber, o próximo ativamente controlado ciclo eleitoral.

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