O ideal seria não ficar nos extremos. Nem tanto nas periferias, nem tanto nas culturas elitista ou acadêmica

imagem: Desfile de Alebrijes | Secretária de Cultura da Cidade do México

Muito se critica a cultura que é produzida pelas massas. A que nasce e cresce nas periferias. A que toma a televisão e se prolifera. Muito se diz “desliguem a tevê!”, como se ao menor contato com essa cultura nós fôssemos perder a nossa própria, ou nos deixar contaminar, irremediavelmente, por ela.

Pois essa cultura das massas tem tanto direito a existir e a ser vista e ouvida quanto aquela produzida pelas elites, dita erudita.

Certa vez um amigo disse que a cultura acadêmica também pode ser alienante, e isso veio ao encontro de algo que eu já pensava na época. Se nos atermos ao que é produzido dentro de uma redoma elitista, deixaremos passar o que for surgindo de potencialmente interessante nas periferias.

É verdade que a cultura produzida pelas massas está lamentavelmente sujeita à pouca atenção que recebe do governo, ao investimento quase nulo em cultura e arte. Mas ainda assim é cultura. É forma de expressão. E muita arte se produz ali.

A cultura das massas está igualmente sujeita a uma apropriação pelas mídias, com objetivo essencialmente comercial. Música, gêneros de dança, filmes, séries de televisão, moda, tudo sofre apropriação por uma Indústria Cultural e é explorado por ela.

Só para entender melhor a cultura de elite: também chamada “cultura superior”, requer o acúmulo de um conhecimento amplo prévio por parte de seu consumidor para que possa ser apreciada. Ao contrário da cultura das massas, a cultura erudita é restrita a um grupo reduzido de pessoas, normalmente classes sociais altas ou indivíduos que possuem um certo nível de instrução acadêmica, ou seja, um grupo mais intelectualizado.

O ideal seria não ficar nos extremos. Nem tanto nas periferias, se possível, nem tanto nas culturas elitista ou acadêmica. Permanecer no centro parece ser a estratégia ideal. Ler Dostoiévski e ver algo na tevê aberta que possa te agradar, por exemplo. Ver um filme de Bergman e ficar atento aos grafites que vão surgindo pela cidade, às manifestações artísticas das periferias, música, dança etc.

Na cultura de massas, por exemplo, e só nela, encontramos facilidade na divulgação e na circulação dos produtos, justamente por se tratar do que é popular. Cito também uma facilidade maior de troca e de socialização, já que se trata de um público maior a ser atingido. Na de elite temos produtos com maior qualidade, por se tratar de uma parcela da população que investiu mais na educação e na própria cultura, além da arte.

Riqueza, no caso a intelectual, é sinônimo de diversidade, de permeabilidade. É sempre bom conhecer mais, até para que você possa decidir o que de fato não é bom para você.

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