Seguimos escandalizados e gargalhando diante de um fortalecimento indiscutível

A esquerda segue caminhando para o precipício. Gargalham histericamente do candidato que faz a melhor campanha orgânica até aqui.

O fato dele ser uma pessoa horrível — e é — retirou qualquer fagulha de senso crítico desse espectro político. Ficam repetindo o óbvio, escandalizados: que é racista, que é homofóbico, que é não sei o que. Dão palco de graça e tanto fortalecem com a campanha lacradora-combativa quanto vão tornando essas palavras menos chocantes por banalizá-las.

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Não se mede o calibre de um político pela erudição ou pelo conteúdo reflexivo do que diz. Valorizamos os advogados e filósofos por isso. Tampouco pela sua capacidade de governar. Esses chamamos de gestores.

O calibre de um político se mede pela sua capacidade de mobilizar pessoas que se sintam representadas por ele.

E nesse sentido Bolsonaro é um monstro. Não há nada parecido desde Lula, não há sequer um candidato que tenha conseguido capitalizar tanto o discurso anti-sistema por aqui.

Não aprendemos nada com Trump. Nada. Poderíamos tentar entender o fenômeno com uma boa dose de humildade e autocrítica. Poderíamos ver legitimidade em alguns dos motivos dos seus eleitores. Poderíamos rever algum vício na forma que afasta as pessoas do nosso conteúdo.

Mas não. Seguimos escandalizados. Seguimos gargalhando diante de um fortalecimento indiscutível. Em breve muitos vão chorar e desejar com todas as forças poder voltar a esse momento com a maturidade adquirida em tempos realmente difíceis.

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