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O especialista em administração Umair Haque argumenta em “Why Capitalism is Obsolete” que o modelo socioeconômico provido pelo capitalismo não é capaz de se adequar às necessidades das sociedades no mundo contemporâneo. As ideias que baseiam esse modelo — a competição, a maximização de lucros como mais alto valor, a visão de curto prazo — impedem que o capitalismo tenha como pauta problemas mais pungentes (como as crises climáticas) e que seja capacitado para lidar com problemas que exigem uma dedicação de longuíssimo prazo marcada por amplas redes de cooperação:

O capitalismo não consegue processar, administrar, computar responder [às questões que enfrentamos]. A complexidade, escala, escopo e risco dos problemas de hoje se tornaram tão grandes e graves que está a anos-luz além das débeis habilidades capitalistas. É como pedir a um dinossauro para que faça uma cirurgia microscópica cerebral (…).

O capitalismo não pode mais resolver os problemas da humanidade, e por isso é obsoleto. Nós precisamos de um modo de organizar os esforços humanos, a engenhosidade, a paixão, o tempo e os sonhos. Com efeito, o capitalismo é tão obsoleto que produz coisas tóxicas que nós nem mesmo percebemos. Está nos cegando para o que é superior — e nos fazendo acreditar que inconveniências triviais são os nossos maiores problemas.

Um contra-argumento a essa perspectiva pode ser oferecido pela Escola Austríaca de Economia, na medida em que os autores ligados a ela privilegiam o fenômeno da “ordem espontânea”, isto é, a produção de sistemas de grande escala a partir de atuações individuais auto-centradas que não visam ao âmbito global que acabam por construir. Alguém aderente a esse ideário pode dizer que a cooperação e a consecução de grandes projetos é possível dentro do modelo atual.

Leia o artigo [inglês].

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