Uma análise de como os cursos de administração deixam passar dados contextuais e subscrevem a um “hiperliberalismo”

O pós-graduando em administração John Benjamin escreve na New Republic sobre a ideologia dos cursos de administração e negócios nos Estados Unidos. Segundo Benjamin, o ponto de vista elaborado nesse campo isola os seus objetos de trabalho — empresas e rendimentos — de elementos sociais que seriam seus constituintes; operando em isolamento, desconsideram fatores sociais, políticos e éticos.

O procedimento desses cursos é descrito dessa forma:

Uma aula de um MBA considerará um assunto de negócios — por exemplo, uma empresa específica — em isolamento. Os seus desafios são delineados; as implicações sociais são deixadas para trás. O objetivo principal dos diretores — a maximização do lucro — é assumido. Com eficiência mecânica, os estudantes então responde a questão de como avançar. Escolhas individuais são abstraídas em números ou modeladas em gráficos. Se se torna necessário apresentar o lado humano de um tema, um estudo de caso — essa marca vazia dos currículos das escolas de negócios — será o bastante. [tradução nossa]

Quando consideram fatores éticos, formulados no sentido de que “o capitalismo precisa de um consciência”, essa visão permanece nos limites estreitos da lucratividade e não chega nunca a uma “análise sistêmica” do capitalismo. Questões climáticas ou trabalhistas recebem, sempre segundo Benjamin, respostas que são pouco mais do que retórica, ao passo que o próprio tratamento desses temas é deslocado para outras áreas, como “sustentabilidade ou empreendedorismo social”, “como se todo empreendimento não tivesse impactos sociais ou ambientais”.

Nesse sentido, ele cita o jornalista Duff McDonald: “A área de negócios perdeu vista da sua verdadeira função na sociedade, que é prover um mecanismo pelo qual nós podemos trabalhar juntos e alinhados ao nosso meio ambiente para atingir os nossos objetivos comuns. Não se trata de, nem nunca se tratou de, simplesmente gerar lucro”.

Por fim, Benjamin identifica a ideologia que permeia os cursos de administração como um “hiperliberalismo” — termo cunhado pelo filósofo John Gray que designa uma situação social que mistura um “carreirismo burguês” e uma ética de “sinalização de virtude”. A crítica, aqui, recai sobre a chamada militância identitária, na medida em que permite às empresas lidar com problemas políticos apenas no campo da gestão de imagem, sem produzir mudanças estruturais: “A política identitária, em outras palavras, cria os álibis éticos para que as empresas prejudiquem pessoas vulneráveis”.

Leia o artigo [inglês].

 

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