nunca se sabe quando o desconhecido vai surgir diante de si. certo é que é absolutamente enriquecedor estar de braços abertos pra recebê-lo

viver o inédito causa uma sensação engraçada. é misto de curiosidade pelo desconhecido, com doses de adrenalina reativa. reativa mas contida, apesar de paradoxal. que é pra dar tempo de processar o novo com propriedade. no seu tempo.

como determinar uma nova forma de se ver o mundo, de se relacionar com ele.

é desenvolver certa frieza pra enxergar o novo em tudo, pra sair de si por alguns momentos e se observar por fora. se questionar sobre como viver o momento de forma plena, sem atropelar o que é bom, sem se desesperar pelo que é novidade nem sofrer pelo que é ruim.

“prometo que tua vida vai mudar pra sempre”

o novo chega de todas as maneiras.

ao subir num ônibus clandestino de noite pra percorrer sessenta quilômetros entre duas cidades num país ainda desconhecido e tomar uma cerveja mirando uma paisagem que tu nunca imaginou ver de perto. ao saltar de uma pedra a seis metros de altura num poço d’água, dentro de uma caverna iluminada só por velas. sem saber nadar.

a paisagem inimaginável da cerveja

ao escutar histórias do povo maia à beira de uma fogueira, a quase três mil metros de altitude, enquanto o sol pincela as águas de um lago vulcânico nos primeiros minutos do amanhecer.

o incógnito surge quando tu conhece gente de mais de vinte nacionalidades diferentes. quando escreve um diário em espanhol e partilha tua música ao vivo em território internacional. aprecia um licor guatemalteco sozinho, na praça de uma cidade histórica, madrugada adentro.

quando tu percorre de chinelo dez quilômetros em uma bicicleta tomada pela maresia, pra encontrar sob os pés uma areia granulada, quente e acolhedora, pra depois passar horas flutuando no mar cristalino, em pleno caribe costa-riquenho. e voltar pedalando praticamente apenas sob a luz do luar.

quando tu assa marshmallows em um “forno natural” dum vulcão ativo

essas e outras tantas histórias eu colecionei no meu primeiro mochilão, pela América Central, exatamente um ano atrás. de fato, vidas mudam após uma expedição dessas, como prometido pelo parceiro que me chamou pro rolê. mas isso não é apenas sobre viagem.

isso é o cotidiano. é vida!

não é exclusividade de se aventurar em outro país, fora da tua rotina.

o inédito tá em mudar o caminho de volta pra casa, mirar o próprio entorno e não só o celular. ouvir o pássaro que canta junto com o despertador, segurar o garfo com a outra mão.

tá em ouvir a história de um desconhecido na rua. reconhecer o calor de um abraço familiar. sentir cada centímetro da mão que segura a tua.

nunca se sabe quando o desconhecido vai surgir diante de si. certo é que é absolutamente enriquecedor estar de braços abertos pra recebê-lo. e no seu tempo.

explorar o novo é o desafio de estar vivo e se reinventar a cada segundo.

***

publicado originalmente no Medium.

Tags:
Categorias:Durden

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *