Tentar ter mais calma e generosidade nas trocas, até naquelas que te embrulham o estômago um pouco

Uma das rotas de fuga dessa sandice humana é deixarmos de ser gente-blindada. Entender que a vida, que eu, você, minhas e suas opiniões – pensamentos – sentimentos podem mudar a qualquer momento. Que nem eu, nem você, nem ninguém É alguma coisa de UM determinado jeito, e pronto acabou. A gente é ignorante demais e cria um modo de estar no mundo baseado nessa ignorância profunda, nessa surdez de alma. Ninguém nasce sabendo, mas sempre – alguns muito mais do que outros – tem condições de melhorar. Pra isso tem que se abrir, tem que aprender a ouvir. Nem eu nem ninguém sabe o que o outro passa, o que o outro vive e sente. Mas se ouvir um pouco, pode tentar entender. Juro que dá.

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Quando a gente sente que o outro está errado, dá pra ir lá e falar com generosidade. Mas tem que ir disposto a ouvir também. Acontece que às vezes até o lado que está menos errado vem metendo o pé na porta. O ser humano, que já tem certa dificuldade de olhar pra si, de admitir que está equivocado, pronto, fecha mais ainda. Revida. Blinda. Mas amigx, olha, tudo bem perceber que você está errado num assunto que não entende. Tudo bem admitir que você tem ali um ponto falho e pode, inclusive, mudar de ideia. Ou não. Tudo bem a possibilidade de ouvir o outro sem vestir armadura. E você, se vai falar, pode ir sem espada em punho. A vida é troca. Às vezes ouço gente reclamando que o mundo está sem escuta, mas vai ver você também não está ouvindo. Ou eu. Mas estou tentando.

Só queria dizer isso mesmo: tentar ter mais calma e generosidade nas trocas, até naquelas que te embrulham o estômago um pouco. Vai ver sou Poliana demais, mas não vejo outro jeito.

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