[Texto originalmente publicado no jornal A TribunaO autor permitiu a republicação.]

“Político oxidado”, foto de Eder Lopez | imagem: flickr

Numa conversa recente com Iberê Sirna, especialista em Marketing Político e ex-professor de centenas de jornalistas — entre os quais me incluo -, ele disse para mim e a um colega que os candidatos a cargos eletivos mudaram. Parece óbvio, mas ele apresentou uma das conclusões mais claras que já ouvi a respeito dessa alteração.

No que consiste? Até décadas atrás, pessoas disputavam o cargo de vereador, por exemplo, com apoio da comunidade. Eram, segundo Sirna, “candidatas por consequência” de sua história de vida, de trabalho coletivo, pela qual ganhavam crédito para ingressar na política e, com mandato, ajudar ainda mais a população. Hoje, do contrário, ser político é o objetivo, sem base que o justifique.

Talvez por isso tantos candidatos ao Legislativo e mesmo a prefeituras se mostrem tão ansiosos em apresentar suas bandeiras de luta. Não faltam temas. Porém, ao mesmo tempo em que se mostram como os grandes nomes que o eleitor tem para escolher em determinado assunto, alguns jamais tiveram qualquer atividade nos segmentos que afirmam defender durante a caça ao voto.

E essa praga se espalhou entre políticos de conduta profissionalizada. Mais do que representantes do povo e das necessidades deste, os profissionalizados se transfiguraram em homens-bandeira. No meio do mandato, descobrem um filão; se necessário lutaram por seu domínio; infiltram-se num grupo, numa categoria profissional, entre amantes de uma causa; fazem-se líderes (artificiais).

Novatos no cenário eleitoral ficam deslumbrados. Alguns mais experientes no jogo político descambam para a irracionalidade (dos que representam, não a deles; seus gestos são sempre calculados. Mas eles também erram e podem cair em descrédito). Indispõem-se com setores que — como a política, em tese, também defendem o bem-estar público como Judiciário e Imprensa.

Em geral, descobre-se tarde demais que as bandeiras defendidas por determinados cidadãos serviam para embrulhar ambições eleitorais e partidárias. Assim, a renovação política não ocorre, nem mesmo com a substituição parcial de ocupantes de cargos públicos. Faz bem o cidadão que verifica a trajetória dos candidatos e observa seus atos antes e depois de, quem sabe, ser eleito.

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