Quando eu vi Matheus Nachtergaele e Fernanda Montenegro no teatro, chorei muito. Nas duas vezes, não demorou muito e eu percebi que nem estava chorando pelo texto, pela história, pela ficção. Estava chorando de emoção, porque me emociona muito ver as pessoas desempenhando seus ofícios de forma magnífica.

Fora do campo das artes, lembro que isso tinha acontecido uma vez, quando arranquei os cisos. Fiquei impressionada com o dentista, com a rapidez com que ele tirou os dentes, com o jeito que a mão dele se movimentava e, posteriormente, com a minha recuperação da cirurgia. Aquilo me emocionou muito. De verdade.

Estou contando tudo isso porque hoje uma enfermeira me fez sentir o mesmo, ao colher meu sangue. Se escolhem o lado esquerdo, eu olho para o direito, sempre. Nunca gosto de ver. E fico ali, quieta, esperando a ‘mordida de formiga braba’ que eu sempre sinto ao tirar sangue. Não tenho medo, mas fico preparada para aquele incômodo. Hoje, quando olhei pro lado, estava lá o tubinho cheio. E não tinha sentido NADA. Picada, gastura, incômodo, dorzinha, NADA.

Ela percebeu: ‘Você sentiu dor?’; eu: ‘Não, na verdade, ia comentar com você. Não senti absolutamente nada!’. E ela, sorrindo, com a voz mais doce e calma do mundo, foi me contar que a veia é como um cano fininho e que aquele incômodo (dorzinha) só é sentido quando a agulha bate nas laterais do cano. Se ela fica onde deve ficar, bem no meio, a gente não sente nada. Ao levantar, ela disse que estava à disposição sempre. E eu disse: ‘Você arrasou!’; ela sorriu. Saí de lá querendo chorar. Mas foi de emoção, emoção purinha. E, ao pisar na calçada, percebi, arrependida, que não perguntei o nome da melhor enfermeira do mundo.

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